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O risco de automatizar o processo errado com eficiência

Um projeto de automação bem executado sobre um processo mal desenhado é uma das coisas mais caras que uma empresa pode comprar. Ele funciona — e é justamente por funcionar que o erro fica difícil de enxergar depois.

O sintoma

Você reconhece o padrão quando os indicadores melhoram e ninguém na operação comemora. O tempo de ciclo caiu, o volume subiu, e mesmo assim as reclamações continuam iguais. Isso quase sempre significa que a automação otimizou uma etapa que não era o gargalo real.

Onde a informação estava

Estava com quem opera. Sempre esteve.

O time de atendimento sabe qual pergunta se repete. O analista sabe qual campo do formulário todo mundo preenche errado. O supervisor sabe qual exceção acontece toda sexta-feira e não está em manual nenhum.

Esse conhecimento raramente chega ao projeto porque ninguém pergunta na hora certa — e quando pergunta, pergunta mal: pede validação de uma solução já pronta em vez de investigar o problema.

Como fazer diferente

Escutar antes de desenhar custa pouco e muda o escopo inteiro. Na prática:

  1. Converse com quem executa, não só com quem gerencia o indicador.
  2. Pergunte o que se repete, não o que está errado — repetição é dado, reclamação é interpretação.
  3. Traga o que ouviu de volta para o time antes de fechar o escopo.

É a etapa mais barata do projeto e a que mais evita retrabalho. Também é a mais pulada.

Qual foi a última coisa que você percebeu e não teve tempo de resolver?

Comece pela percepção. A gente cuida do resto.

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